terça-feira, 21 de abril de 2015

What's New?

          "What's new?" - I asked her. We were alone in the dark of ourselves. She was lonely, set down on that old chair.
          "Nothing, at all. We are still repeating the past, just that. No present, no future, nothing can stop our past". After she said it, the girl of my teenage dreams, now a woman, woke up slowly and went out the room, the same room we met for the first time many years ago. I felt, on that moment, I would never see her again.






















Pintura: "Room in New York" (1932), de Edward Hopper.

Solidão

Nas horas mortas da madrugada
Uma névoa de fracassos me envolve
Fracassos de uma alma cansada
De um coração que lentamente se dissolve

A saudade de um carinho de outrora
Tortura cruelmente minha existência,
A visita da velha ceifadeira, não vejo a hora:
Que leve-me logo, agora, peço clemência!

Não há mais sentido viver aqui, remoendo,
Quando a Paz, marota fugitiva, lá encontra refúgio.
Viso lograr êxito, ao menos, morrendo.

Sonhos desfeitos, amores malfeitos
Todos naufragados num perfume de mulher.
Solidão por solidão, escolho a do eterno leito.


















Pintura: "Hombre Solo", de Juan Nicieza Lavilla.

sábado, 18 de abril de 2015

Poema Subjuntivo

Ver-te solta em si
Sorrindo sem me notar
É algo sublime;
Sublima minhas certezas
Na enfumaçada embriaguez
Do meu vigésimo cigarro.

Teus beijos suculentos
Texturas de desejos
Tu dás em outras bocas
Insanas e loucas;
Beijar-te seria conhecer
O que homens e mulheres
Quiseram um dia te oferecer.

Eu alimento minha ilusão
Com algumas poucas migalhas,
Um meio sorriso, um quase beijo,
Em que meus lábios sedentos
Roçam o canto da tua boca, úmida
Da saliva de outrem.

Mãos que não são minhas
Percorrem teu corpo quente;
Uma espessa barba qualquer
Desliza no teu pescoço,
Enquanto eu fumo de longe
Meu vigésimo primeiro cigarro,
Perturbado pelas espirais.


















Edvard Munch, "Jealousy" (1895)

sábado, 11 de abril de 2015

Marlboro

A distância da sanidade à plenitude
é do tamanho de um cigarro
que se traga até o filtro da juventude.


domingo, 5 de abril de 2015

Ambivalência

Onde não puderes amar, não te demores.
Onde puderes amar, te controles,
Pois amor e obsessão são vizinhos de porta
Que gostam de deixar lixo um na soleira do outro.

Haikai Enjoadinho

A vida me cansa
pois nunca descansa
do amor que me câncer.

sábado, 28 de março de 2015

Cantiga

Ai de mi, minha adorada
Se te vires por outro apaixonada
Minha mente está cansada
De te ver assim, deslumbrada

Ai de mi, minha querida
Se te vejo desprotegida
- Vem pra minha guarida,
Vem alegrar minha vida!

Ai de mi, minha flor
Se não puder dar-te o amor
Que sei que dás valor,
Mas não correspondes com fervor

Ai de mi,minha menina
Que sabe ser mulher
Essa é a nossa sina:
- Amar quem não nos quer...