Hoje acordei pensando em ti
com uma saudade ardida
das horas vividas
a teu lado por aí
no vento do Rio
no leito do Rio;
nem a chuva de Copacabana
aquiesceu a vontade insana
de estar com você
de estar em você
na túrgida noite da Barra
rondando tua boca;
sorriso igual não há
do Recreio ao Joá
como esse que é teu,
ilumina mais que o sol
do meio-dia lá da Penha, bicho;
os arabescos da Cinelândia
não são páreos aos contornos teus,
marota Vênus urbana
musa do Renascimento meu.
Neste exato momento dói,
e nem a ponte Rio-Niterói
é suficiente pra te trazer pra mim;
mas quando voltares, minha flor,
dar-me-ei completo a ti inteira
em nossas grandes praias desertas,
de braços abertos, no mais gostoso dos sacrifícios.
Modelo: Clara Nascimento
sábado, 30 de setembro de 2017
domingo, 5 de março de 2017
Expiração
Não me julgues por não derramar
cálidos versos sobre teu colo
nem prostrar-me a teus pés junto ao solo
na casta intenção de te adorar;
Já fui devoto à exaustão
de lábios tais, rubros devaneios,
de corpos atados por enleios,
na ânsia amarga do ato pagão.
Tanto desperdício de lirismo
em parcas musas dissimuladas;
extinta verve da madrugada.
Apesar de não mais rutilantes,
meus olhos reluzem com teus louros
gentis, a ruir meus agouros.
Ismael Nery, "Resignação Diante Do Irreparável", guache.
cálidos versos sobre teu colo
nem prostrar-me a teus pés junto ao solo
na casta intenção de te adorar;
Já fui devoto à exaustão
de lábios tais, rubros devaneios,
de corpos atados por enleios,
na ânsia amarga do ato pagão.
Tanto desperdício de lirismo
em parcas musas dissimuladas;
extinta verve da madrugada.
Apesar de não mais rutilantes,
meus olhos reluzem com teus louros
gentis, a ruir meus agouros.
Ismael Nery, "Resignação Diante Do Irreparável", guache.
terça-feira, 24 de janeiro de 2017
So Girly
She's an unusual chick
from my ordinary town;
cute hair, no crown,
some sexy lipstick
From above she stares me
when I hold her waist,
so close I almost taste
things I cannot see
She likes what I adore;
She's a Gryffindor's knight
with a Ravenclaw's sight
asking for more
Such a remarkable beauty
lays down in her walk,
I could kiss her feet
as an usual duty
But I still don't know her,
and that's my goal for now
already knowing how;
no need to be harder.
from my ordinary town;
cute hair, no crown,
some sexy lipstick
From above she stares me
when I hold her waist,
so close I almost taste
things I cannot see
She likes what I adore;
She's a Gryffindor's knight
with a Ravenclaw's sight
asking for more
Such a remarkable beauty
lays down in her walk,
I could kiss her feet
as an usual duty
But I still don't know her,
and that's my goal for now
already knowing how;
no need to be harder.
segunda-feira, 12 de dezembro de 2016
Sufocar
Cala no teu peito o lamento
Sulfuroso que te transborda
Pela face crua e calhorda;
Incêndio seco em movimento.
Reserves o gosto agridoce
Do choro latente ao espelho;
Não grites nem peça conselho,
Todo palpite é precoce.
No fundo dos olhos cansados,
Angústia de sufocar
Mil vontades de se doar.
A dor que sentes te desperta
Do ócio de todo amar,
É ferida que quer fechar.
Jean-Jacques Henner, "Solitude", óleo sobre tela, 1886.
Sulfuroso que te transborda
Pela face crua e calhorda;
Incêndio seco em movimento.
Reserves o gosto agridoce
Do choro latente ao espelho;
Não grites nem peça conselho,
Todo palpite é precoce.
No fundo dos olhos cansados,
Angústia de sufocar
Mil vontades de se doar.
A dor que sentes te desperta
Do ócio de todo amar,
É ferida que quer fechar.
Jean-Jacques Henner, "Solitude", óleo sobre tela, 1886.
segunda-feira, 22 de agosto de 2016
Ressaca
Revoltas
ondas que quebram
nos
limites do areal
trazem
lágrimas de sal,
gotas
tristes que não secam
Em
seu ventre de amargor
guardam
pálidos abraços
de
tantos desfeitos laços
travestidos
de fervor
Agridoce
é a sina
do
náufrago que com mágoas
vem
perder-se nestas águas
Águas
fundas do meu peito
calam
sorrisos e amores
ao
transbordarem-se as dores.domingo, 31 de julho de 2016
Perfumaria
Saudades daquele aroma
sutil e tão delicado
do teu vestido amassado
atirado no carpete
orvalhado do meu quarto;
Na janela escancarada
a aurora até se adianta
para ver tua risada
ao saudar o novo dia...
Sem ti a noite é longa
mais longa que teus cabelos,
negros como a madrugada
que preenche tua ausência,
a iluminar com desvelo
os lençóis em que dormias,
dos quais emanam aromas
sutilmente eternizados
pela fricção doentia
de nossos corpos noturnos.
sutil e tão delicado
do teu vestido amassado
atirado no carpete
orvalhado do meu quarto;
Na janela escancarada
a aurora até se adianta
para ver tua risada
ao saudar o novo dia...
Sem ti a noite é longa
mais longa que teus cabelos,
negros como a madrugada
que preenche tua ausência,
a iluminar com desvelo
os lençóis em que dormias,
dos quais emanam aromas
sutilmente eternizados
pela fricção doentia
de nossos corpos noturnos.
quarta-feira, 13 de julho de 2016
To Have And Have Not
The old records taught me to desire
In their ancient, classy grooves,
Such a guide for my moves
I couldn’t avoid being on fire.
Among the cigarettes I shall find,
Hidden between girl’s legs,
The pleasure my youth begs
So milky it blows my mind.
No place is better than another;
The unknown attracts me
More than these bodies I see
Which I can’t feel for no longer.
Despite I have some patience
The ancient tunes have it lost;
Haven’t taught me what they must,
About love and its magnificence.
But through my anguish I realize:
Love might be a kind of silence.
sábado, 25 de junho de 2016
Bezerros De Ouro
Tudo
é uma mentira.
Cada
estrofe, cada verso,
cada
vernáculo disperso
até
a rima derradeira;
Parca
e febril imagem
de
fantasiosas musas
veneradas qual deusas
ilustra
minha linguagem;
Qual
não seria o assombro
ao
desvelarem-se as ilusões
em
melindrosas obsessões!
Poesia
soberba e fútil;
anseia
por uma relevância
que
não satisfaça sua ânsia.
domingo, 22 de maio de 2016
Ecos Do Inaudível
Para D.D
Guardarei tuas ausências
uma a uma com saudade,
entre as cruzes da vaidade
e os nós da resiliência
Nosso caso sem início
linearmente acabou;
de repente transformou
a nossa espera num vício
Sinto ainda um arrepio
ao imaginar os teus seios
sobre os quais não repousei...
Mas não temo nosso abismo;
duas almas não se afastam
se outrora uma só foram.
Pintura: Óleo sobre tela, de Julio Reyes.
Guardarei tuas ausências
uma a uma com saudade,
entre as cruzes da vaidade
e os nós da resiliência
Nosso caso sem início
linearmente acabou;
de repente transformou
a nossa espera num vício
Sinto ainda um arrepio
ao imaginar os teus seios
sobre os quais não repousei...
Mas não temo nosso abismo;
duas almas não se afastam
se outrora uma só foram.
Pintura: Óleo sobre tela, de Julio Reyes.
quinta-feira, 14 de abril de 2016
Princesa do Mato Grosso
Para I. P.
Ela
tem os lábios mais lindos,
Daqueles
que se deseja beijar
Por
horas a fio; com minha mão
Em
seus cabelos macios
Irei
sentir toda a doçura
Que
seu beijo pode dar
Seu
coração tão magoado
Carrega
uma dor amarga
Que
os olhos tentam disfarçar;
Mas
a moça chora sozinha
E
a beleza de suas lágrimas
Inunda
sua alma jovem
Mocinha
linda...
Conquista-me
sem perceber
Com
esse seu jeito tão meigo
De
falar sobre todas as coisas
Seduzindo-me
aos poucos
Sendo
apenas ela mesma.
Pintura de Richard S. Johnson
terça-feira, 12 de abril de 2016
Poem for those who can't see me for a while
The streets
are asking for some kind of something
maybe they are
waiting for your return or
pretending you
are still here, laughing
through the
unbreakable glasses
you keep around
your eyes;
but those
familiar streets are lying,
not to me, but
to themselves
because I know
it is too early
to expect any of
your comebacks
since I've realized you haven't even left.domingo, 21 de fevereiro de 2016
Notívagos
No
âmago quente da noite
fervem
desejos inconfessáveis
de
indivíduos ordinários
envoltos
na luz incerta
e
amarelada dos bares;
cada
qual em seu simulacro
de
paixões enfumaçadas
pelos
cigarros consumidos
ad
infinitum.
Em
cada cinzeiro repousam
memórias
compartilhadas
por
cada coração errante
que
senta-se à mesa;
em
cada copo, o reflexo
turvo
de uma realidade
insípida,
digerida
somente
com o auxílio
do
álcool.
Mas
apesar do vazio
todos
sorriem de canto
à
pretensão de terem
outra
identidade amanhã
em
seus escritórios
pequenos
e padronizados;
e
em seus lares silenciosos
onde
enfim encontram
a
paz necessária.
sábado, 23 de janeiro de 2016
Menina Moça
Em
todos os dias do ano
ela
abre um sorriso radiante
que
ilumina até mesmo o sol,
e
o grande astro lhe sorri de volta
aquecendo
assim o corpo esguio
e
adocicado desta moça tão linda
como
as manhãs frescas
Esse
olhar faceiro que ela tem
me
encanta mesmo de longe
deixa
assim delirante
minha
mente insana,
e
sozinho em minha cama
fantasio
com os meus dedos
embrenhados
em seus cabelos
Seus
pés pequeninos
suavemente
percorrem
os
caminhos de seus desejos;
quisera
sentir deslizando
por
todo o meu corpo nu
esses
pés tão deliciosos,
o
tempo inteiro a me provocar
Esta
bela moça vive em plena
harmonia
com todas as criaturas.
O
mundo inteiro é seu
e
ela pertence ao mundo
quando
quer espairecer;
assim
como eu também serei dela
e
ela minha, pelo menos uma vez.
Modelo: Cláudia Lima
sábado, 2 de janeiro de 2016
E o fogo fez-se morno
As
últimas marcas da tua presença
reduziram-se
a um porta retrato
inodoro
e insípido e incômodo,
o
qual me sorri todas as vezes
que
abro a gaveta da escrivaninha.
É
sobre ele que jogo a cinza dos meus cigarros;
sua
forma arredondada e moldura côncava
auxiliam-me
nesse pequeno recalque,
porém
logo sinto remorso
e
limpo cuidadosamente como que para evitar
que
tu visses tamanho rancor cinzento
a
enfumaçar minha espera.
“Fumando
espero” é o oportuno nome
do
tango que eu ponho por teimosia na vitrola.
Tu
costumavas dançar ao som desse tango,
nua,
cantando no teu espanhol fluente
e
fumávamos até embriagar as paredes
com
a fumaça de nossos corpos em chamas.
Agora
o único a queimar é o meu cigarro,
à
espera de alguém que não mais conheço.
sexta-feira, 18 de dezembro de 2015
Perene
Não,
a vida é eterna
Abstração
do mundo inteligível
Tal
qual uma história materna
Repetida
e sempre sensível
A
vida é um círculo infindo
Que
não tem início nem final,
Como
a onda que sempre vem vindo:
Não
se pode compreender afinal.
A
vida é um eterno devir
De
existências que se entrelaçam,
Que
só se pode sentir
Quando
as vidas passam.
sexta-feira, 11 de dezembro de 2015
Ranço
A aurora que te viu sair é a mesma
que te viu sorrir quando da tua chegada sem cerimônia ou alardes. Eu encaro a
aurora; nela vejo as cores do teu vestido que se distancia na rua bocejante. São
5:40 da manhã e eu nunca estive de pé a essa hora em dias sóbrios, mas hoje estava
completamente desperto. Justo em uma terça-feira tu resolves desertar, mulher.
Se fosse no sábado, pelo menos um pouco de whisky poderia lhe oferecer. Hoje,
pra beber, só o teu veneno destilado; preciso de gelo pra engolir, já que tu
mesma não o faz. É muito fácil ir embora e sentar na calçada e acender um
cigarro – do meu maço - e baforar olhando a minha barba por fazer. É fácil ir
embora sem arrumar a cama, um disparate deixar-me com o cheiro do teu sexo no
quarto onde terei que dormir sozinho. Tratarei de por outra em cima do meu
colchão; ou simplesmente trocar o lençol. Nem uma nem outra, eu desço. Desço e
olho para os teus olhos para que dos meus não te esqueças. Olharei até que
sequem as lágrimas, olharei até que eu não sinta mais nada, até que o transe
desfaça tua imagem da minha memória. Mas não. Ele chega e para no meio do
caminho, de modo que nós três formamos um triângulo equilátero um tanto transgressor,
pois não há igualdade. “Quando ela olha no azul dos teus olhos, amigo, é o
castanho dos meus que ela quer encontrar” e esta última palavra minha se confunde com uma risada, que mais tarde vai se confundir com a dor. Mas só
mais tarde.
domingo, 6 de dezembro de 2015
não tem título
este
poema não tem nenhum propósito
para
existir
não
há nada de interessante nele
e
também não há nada
de
interessante na rotina
de
quem o está escrevendo
-
no caso eu –
apenas
gasto a tinta dessa caneta
que
comprei não sei onde
e
paguei não sei quanto
escrevo
qualquer coisa com essa caneta
preta
para
estancar de alguma forma amorfa
essa
noite piegas que passo em
branco
mas
tem uma coisa muito engraçada
você
que lê essa porcaria
certamente
não tem nada melhor pra
fazer
e
isto
iguala
você a mim, veja só!
então
faça um favor a si mesmo
e
pegue uma caneta
não
precisa ser preta e nem precisa ser uma caneta
na
verdade
e
escreva a porra que quiser
não
precisa ser no papel, paredes e muros servem
e
aprenda a esvaziar-se de sofás
e
decassílabos
você
vai ver como vai sorrir
e
gargalhar até, se for dos mais
extrovertidos
quando
perceber que o propósito desse
pseudo
– poema
é
fazer você chegar até aqui
e
não colocar um ponto final
terça-feira, 1 de dezembro de 2015
Felicidades, Musa
Hoje é
aniversário dela
E daqui de
longe eu sorrio
Ao pensar
que tenho um pretexto
Para
escrever para ela novamente,
Sem parecer
um devoto
Não de uma
santa, mas de uma deusa
O sorriso
dela inspira qualquer trovador
Que se
atenha em seus lábios
O encanto é
inevitável;
Mas quem
diabos haveria de querer evitar
Tamanha
maravilha?
Não consigo
encaixar em métricas
Os versos
que escrevo para ela,
Nenhum
esquema de rimas
Consegue
traduzir
Minha
estupefação
Quando ela
aparece de novo
Mais magra,
mais sorridente
Mais linda
(Se é que
isto é possível)
Ela mora
longe
Do outro
lado do coração
Talvez ela
só exista na minha poesia
Ou nos meus
sonhos;
Nestes eu
consigo abraçá-la
Nestes ela
permite
Que eu
afague seus cabelos.
Modelo: Cici
terça-feira, 24 de novembro de 2015
Labuta
Dorme
a noite em seu leito de sonhos desfeitos
Feito
o navio que de tão brutalmente imenso
Não
se esparrama nos laguinhos diversos
Onde
a vida ferve em sorridentes sonhos
Que
acalentam o desespero cego
De
quem só enxerga a luz de fora
E
apaga a de dentro.
Boceja
a noite em seu leito de letargia
Onde
crianças amarrotam os lençóis
E
ronronam fantasias impossíveis
Sobre
um mundo de impossíveis verdades
Crianças
que veem cores e matizes
No
vento e se deixam levar pela brisa
Rumo
ao tudo que constroem
A
partir do nada que sabem
Acorda
a noite num aquecido embalo
Que
seca os lagos docemente
Faz
suar as crianças imaginárias
Que
despertam seus amigos concretos
Iniciam
sua roda-viva perene
Impulsionam
a roda-viva dos pais
E
vivem na dialética solar
A
ansiar pelo repouso que não virá.
sábado, 7 de novembro de 2015
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